sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Psicologia Esportiva


As imagens mentais têm sido bastante usadas pela Psicologia Esportiva, especialmente para melhorar a motivação e o desempenho. Várias pesquisas atestam que imaginar a performance de uma habilidade esportiva específica traz a melhora física dessa habilidade (UTAY, 2006).

A imaginação também tem sido utilizada para reduzir a dor em processos de cura e para limitar a perda da força e da mobilidade em atletas imobilizados. Por exemplo, em pesquisa realizada por Newson, Knight e Balnev (2003 apud UTAY, 2006), atletas imobilizados que participaram da pesquisa usando imagens mentais não apresentaram mudanças significativas na flexão e extensão do pulso durante a imobilização, enquanto atletas que não usaram a imaginação apresentaram um decréscimo significativo na flexão e extensão do pulso.

UTAY, J.; MILLER, M. Guided imagery as an effective therapeutic technique : a brief review of its history and efficacy research. Journal of instructional psychology, v. 33, n. 1. mar. 2006.

Hipnoterapia

Na Hipnoterapia o emprego da imaginação é muitas vezes usado no “aprofundamento”, após relaxamento e indução da hipnose e no retorno do transe hipnótico. Segundo Dowd (2002, p. 622) “as sugestões são mais eficazes quando se emprega a imaginação”.
Exemplos:

· Técnica da escada – o indivíduo se imagina descendo uma escada, e a cada degrau que desce, mais se aprofunda no transe. Para sair do transe, se imagina subindo os degraus.

· Técnica do mergulho – o sujeito se imagina mergulhando no mar, cada vez mais fundo, enquanto se aprofunda cada vez mais no transe. Para sair do transe se imagina subindo para a superfície.

A imaginação também é usada na hipnoterapia para a eliminação de problemas, hábitos ou transtornos não desejados.

DOWD, E. Thomas. Hipnoterapia. In: CABALLO, Vicente E. (Org.). Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. 2. ed. São Paulo : Santos, 2002. p. 609-628.

Treinamento Autógeno


O Treinamento Autógeno foi desenvolvido por Shultz, a partir de pesquisas das vivências ópticas dos estados hipnóticos e suas sensações corporais gerais. Segundo seu criador, o Treinamento Autógeno se baseia no conceito antigo de “auto-hipnose” e tem grande valor como método para se obter “pausas profiláticas de repouso” (SHULTZ, 1950, p. 27).

De acordo com Vera e Vila (2002, p. 160), o relaxamento autógeno de Shultz (1932) consiste de uma série de frases elaboradas com a finalidade de induzir no sujeito estados de relaxamento através de auto-sugestões sobre:

1. sensações de peso e calor em suas extremidades;
2. regulação das batidas de seu coração;
3. sensações de tranqüilidade e confiança em si mesmo;
4. concentração passiva em sua respiração.

A imaginação é utilizada no decorrer do processo, para, por exemplo, visualizar imagens de calor e peso, como segue: “visualize sua mão e braço direitos em um lugar quente, ao sol, veja como os raios de sol descem e tocam sua mão e braços direitos” (VERA; VILA, p. 161).


SCHULTZ, Johannes Heinrich. O treinamento autógeno. São Paulo : Mestre Jou, 1950.

VERA, M. Nieves; VILA, Jaime. Técnicas de relaxamento. In: CABALLO, Vicente E. (Org.). Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. 2. ed. São Paulo : Santos, 2002. p. 147-165.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Terapia Comportamental

Na Terapia Comportamental as imagens são empregadas em muitas técnicas. Na verdade, segundo Caballo e Buela-Casal (2002, p. 712), "praticamente todas as técnicas verbais podem adaptar-se a procedimentos de visualização de imagens. Para muitos pacientes o melhor enfoque é entremear procedimentos verbais e imagens, já que a combinação produz maiores mudanças do que a utilização de um só enfoque".

A seguir os principais tipos de imagens utilizadas na Terapia Comportamental, de acordo com Caballo e Buela-Casal (2002, p. 713):

1. Imagens de enfrentamento, nas quais os pacientes imaginam a si mesmos enfrentando com êxito as situações difíceis. São usadas para corrigir o pensamento passivo, de evitação.

2. Imagens relaxantes, que incluem cenas da natureza e visualizações sensuais. São empregadas para opor-se a pensamentos ansiosos, produtores de temor.

3. Imagens de aptidão, nas quais os pacientes se imaginam realizando tarefas perfeitamente. São utilizadas para opor-se a pensamentos irracionais de fracasso e desamparo.

4. Imagens nocivas, que se utilizam no condicionamento aversivo, de fuga ou evitação, para opor-se a comportamentos negativos.

5. Imagens idealizadas, que se empregam quando os pacientes não são capazes de pensar em seus objetivos finais (por exemplo, “o que você quer estar fazendo dentro de 10 anos?”).

6. Imagens recompensadoras, usadas para reforçar o pensamento realista (por exemplo, “imagine o seu chefe vestido de pato, grasnando”).

Alguns exemplos de técnicas comportamentais são:

1. Técnica da imaginação emotiva, que consiste no emprego de imagens emotivas inibidoras da ansiedade, como por exemplo, imagens que ativem sensações de orgulho, serenidade, afeto, alegria, auto-afirmação, etc. Segundo Lazarus (1985 apud CABALLO, 2002) esta técnica é especialmente útil com crianças que sofrem de fobia.

2. Técnica da imaginação racional emotiva (IRE), usada por Albert Ellis e outros terapeutas comportamentais para modificar as percepções gerais do paciente. Nesta técnica o paciente deve visualizar detalhadamente situações que tenham sido desagradáveis e identificar os sentimentos associados a elas. Em seguida são usadas estratégias para modificar estes sentimentos (MCMULLIN, 2005, p. 176).


CABALLO, Vicente E.; BUELA-CASAL, Gualberto. Técnicas diversas em terapia comportamental. In: CABALLO, Vicente E. (Org.). Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. 2. ed. São Paulo : Santos, 2002. p. 685-718.

McMULLIN, Rian E. Manual de técnicas em terapia cognitiva. Porto Alegre : Artmed, 2005.
MEN

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Terapia Cognitiva

Na Terapia Cognitiva as técnicas com imagens mentais são utilizadas tanto em transtornos de ansiedade quanto em transtornos de personalidade.

De acordo com Beck & Emery (1985 apud BECK, 1997, p. 235), muitas pessoas experimentam “pensamentos automáticos” não apenas como palavras não faladas em sua mente, mas também em forma de figuras ou de imagens mentais. A terapia cognitiva ensina os pacientes identificarem essas imagens espontâneas, que segundo Beck (1997) são com freqüência breves e perturbadoras, e intervir terapeuticamente tanto com elas como com imagens induzidas.

Segundo Beck e Freeman (1993, p. 69), "simplesmente falar sobre um evento traumático pode dar um insight intelectual sobre por que o paciente tem uma auto-imagem negativa, por exemplo, mas de fato não modifica a imagem. Para modificar a imagem, é necessário retornar no tempo, recriar a situação tal como era. Quando as interações são trazidas à vida, a construção errônea é ativada – juntamente com o afeto – e a reestruturação cognitiva pode ocorrer."

Judith Beck descreve vários exemplos de técnicas utilizadas na terapia cognitiva, no livro “Terapia cognitiva: teoria e prática” (1997, p. 239): “seguindo as imagens até sua conclusão”, “seguindo a frente no tempo”, “enfrentando o conflito na imagem visualizada”, “alterando a imagem visualizada”, “testando a realidade da imagem”, “repetindo a imagem”, “substituindo, interrompendo e distraindo-se das imagens”.

A visualização mental também é usada na técnica do “ensaio cognitivo”, que se refere ao ensaio detalhado e imaginário de uma determinada tarefa, como por exemplo, sair de casa ou vencer o medo de falar em público (FEILSTRECKER; HATZENBERGER; CAMINHA, 2003).

BECK, Aaron; FREEMAN, Arthur. Terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Tradução Alceu Edir Fillman. Porto Alegre : Artes Médicas, 1993.

BECK, Judith S. Terapia cognitiva : teoria e prática. Porto Alegre : Artes Médicas, 1997.
FEILSTRECKER, N.; HATZENBERGER, R.; CAMINHA, R. M. Técnicas cognitivo-comportamentais. In: CAMINHA, Renato Maiato; WAINER, R.; OLIVEIRA, M.; PICCOLOTO, N. M. (Org.). Psicoterapias cognitivo-comportamentais : teoria e prática. São Paulo, 2003.

Gestalterapia

A Gestalterapia também se utiliza de diversas técnicas de imaginação. Em seu livro “Descobrindo crianças: uma abordagem gestáltica com crianças e adolescentes”, Violet Oaklander (1980) dá vários exemplos de técnicas nas quais são usadas visualizações, como as “viagens imaginárias de fantasia”, conduzidas pela terapeuta, e técnicas em que o indivíduo imagina que é um órgão de seu próprio corpo, ou uma figura que desenhou ou modelou em argila e fala como se sente e o que pensa neste papel.


OAKLANDER, Violet. Descobrindo crianças : abordagem gestáltica com crianças e adolescentes. São Paulo : Summus, 1980.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Imaginação Ativa


A Psicologia Analítica, de Carl Gustav Jung, propõe a “imaginação ativa” como uma maneira dialética particular de lidar com o inconsciente. Esta técnica consiste em quatro fases: libertar-se do fluxo de pensamento do ego; deixar que uma imagem de fantasia do inconsciente flua para o campo da percepção interior; conferir uma forma à imagem relatando-a por escrito, pintando-a, esculpindo-a, escrevendo-a como uma música ou dançando-a; confrontar-se moralmente com o material produzido/imaginado (FRANZ, 1999).

Durante a “imaginação ativa” não existe uma meta que obrigatoriamente tenha que ser atingida, nenhum modelo, imagem ou texto a ser usado, nenhuma postura ou controle da respiração são recomendados, o paciente não se deita e nem o terapeuta participa das fantasias.

A pessoa simplesmente começa com o que vem de dentro dela, com uma situação de sonho relativamente inconclusiva ou uma momentânea modificação do estado de espírito. Se surge um obstáculo, a pessoa que medita é livre para considerá-lo ou não como tal; é ela que resolve como deve ou não reagir diante dele (FRANZ, 1999, p. 179).

FRANZ, Marie-Louise von. Psicoterapia. São Paulo : Paulus, 1999.